Lembrou-lhe que ele nunca quisera que ela o fosse visitar, que evitara falar com ela, que nunca mais lhe escrevera. Que, se ele sofria com aquela situação, também não era fácil para ela sentir-se rejeitada imaginando que, voluntaria ou involuntariamente, ele a culpava. Também lhe fazia mal a ela.
E fora nessa altura que conhecera o seu actual marido, por quem se apaixonou, que se casaram e tiveram, mais tarde, a menina que ele vira no dia anterior.
Apesar de tudo, sabia que não tinha sido muito correcto da sua parte ocultar-lhe o que estava a acontecer, sabendo que ele estava preso porque a amava e que, por causa desse amor, a tinha defendido naquele dia e que, apenas por isso, tinha sido preso. Sabia que tinha quebrado uma promessa.
No entanto, não podia viver o resto da sua vida ao lado de uma pessoa por quem não sentia amor, apenas para cumprir uma promessa, feita numa altura em que ainda sentia algo por ele, mas que as circunstãncias acabaram por apagar.
David, por sua vez, falou-lhe do que tinha passado na prisão, e de como tinha suportado tudo por acreditar que Patrícia estaria à espera dele quando saísse, e que o faria esquecer todos os maus momentos.
Disse-lhe que a única coisa que quisera fora protegê-la, para que ela não visse em que estado ele se encontrava, para que nunca frequentasse aquele ambiente, e para que não se sentisse culpada. Nunca fora sua intenção fazê-la sentir-se rejeitada, responsável por tudo e, muito menos, afastá-la!
Sem comentários:
Enviar um comentário