terça-feira, 6 de outubro de 2015

Amores Desencontrados - capítulo XXII


 


Depois de todos os convidados se terem ido embora, Débora procurou o seu pai, mas este não quis sabero que ela tinha para lhe dizer e informou-a que não queria mais ver Afonso na sua casa e muito menos com ela.


Tinha traído a sua confiança e não merecia mais a sua amizade. E avisou-a que, se ela insistisse em defendê-lo e ir atrás dele, então também não a queria ver mais na sua casa.


No entanto, no dia seguinte, ignorando as ameaças do pai, procurou Afonso, disposta a fazer tudo para ficar com ele. Mas parecia que nada abonava a seu favor.


Afonso explicou-lhe que teria de viajar nesse dia a trabalho, e ausentar-se durante dois ou três meses, uma vez que já se tinha comprometido, e não podia faltar com a sua palavra.


Apesar da insistência de Débora em ir com ele, e deixar a sua casa e o seu trabalho, Afonso disse-lhe que teriam muito tempo para estar juntos, e que não era preciso precipitarem-se.


Durante esse tempo, o seu pai poderia mudar de ideias e aceitá-lo e, além disso, poderiam reflectir sobre o que sentiam um pelo outro, e se realmente queriam ficar juntos.


Débora compreendeu que ele tinha razão. Não podia deixar o seu trabalho, que sempre fora tão importante para ela, e o seu pai era a sua única família, aquele que sempre fizera tudo por ela.


Mas garantiu-lhe que iria esperar por ele e que, por mais tempo que ele estivesse longe,não mudaria de ideias quanto ao que sentia por ele. Por isso, conformou-se com aquela separação temporária, e despediu-se. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Amores Desencontrados - capítulo XXI


 


Débora disse-lhe, então, que ele não tinha motivo nenhum para estar com ciúmes dela, que não fizera mais do que conversar e dançar com os seus amigos, como ele mesmo tinha dito. E que não namorava com ninguém mas, mesmo que assim fosse, ele não tinha o direito de dizer nada, porque quando ela o procurou, ele rejeitou-a.


E, quando Débora se preparava para ir embora, Afonso segurou-a e beijou-a como da primeira vez, no escritório do seu pai. Ganhou, finalmente, coragem e confessou-lhe que também a amava há muito tempo, e não quisera admitir com receio que ela ainda sentisse alguma coisa por Raúl, com medo de ele próprio estar a confundir os seus sentimentos e, principalmente, porque não queria trair a confiança do seu pai.


Por isso, afastara-se dela, mas não podia evitar os ciúmes que sentia cada vez que a via com outro homem. Depois desta confissão, Afonso sentiu-se aliviado por ter aberto o seu coração, e feliz por tê-la nos seus braços. Débora também estava feliz por saber que era correspondida.


Só que, enquanto se beijavam, o pai de Débora entrou na cozinha, e viu-os. Não deixou sequer que eles se explicassem, e pediu a Afonso para sair da sua casa. Débora não compreendia a atitude do pai, e perguntou-lhe porque é que ele tinha mandado Afonso embora. 


O pai apenas lhe respondeu que, depois do que tinha visto, Afonso não era mais bem vindo naquela casa, e que a amizade deles terminava ali.


Débora acusou o pai de estar a ser injusto, e estava decidida a ir atrás de Afonso, mas este pediu-lhe para ficar, e conversar com o seu pai. Disse-lhe que não se preocupasse, porque tudo iria correr bem, e saiu.


Para ela, a festa tinha terminado.


 


 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Amores Desencontrados - capítulo XX


 


Nunca mais voltou a ter a mesma relação com Afonso, e o seu pai reparou que alguma coisa se passava entre os dois. Mas como eles insistiam em dizer que era só impressão sua, não se preocupou mais.


Chegou o dia do aniversário de Débora, e esta resolveu convidar os seus amigos da revista e da universidade, alguns familiares e, é claro, Afonso, para comemorar o seu aniversário.


Débora estava ainda mais bonita que na festa da reforma do seu pai.E um primo seu, que já não via há bastante tempo, não a largou durante grande parte da noite.


Afonso sentia ciúmes, mas não podia dizer nem fazer nada. Quando Débora foi até à cozinha beber um pouco de água fresca para matar a sede com que tinha ficado, por ter dançado durante tanto tempo, Afonso entrou também, pouco depois.


Débora perguntou-lhe se ele se estava a divertir, ao que ele lhe respondeu que não tanto como ela. Débora acabou de beber a água e já ia a sair quando Afonso lhe perguntou se o rapaz com quem tinha estado toda a noite era o seu namorado.


Ela quis saber qual era o interesse dele, mas Afonso respondeu-lhe que era mera curiosidade, como seu amigo que era.


Débora ripostou que amigo ele não era mais, desde que tinha decidido afastar-se dela sem motivo nenhum.


Afonso, por sua vez, observou que ela não devia ter sentido muito a sua falta, uma vez que estavam ali tantos amigos seus, com quem tinha conversado e dançado toda a noite.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Amores Desencontrados - capítulo XIX


 


Procurou-o e, sem rodeios, perguntou-lhe porque se tinha afastado dela. E se, o que ele sentia por ela era só amizade, porque fugia dela. Estaria ele com medo de assumir que sentia algo mais.


Disse-lhe ainda que não tinha medo de dizer que gostava dele, não como amigo ou irmão, mas como homem. Que há muito tempo se sentia atraída por ele, e que essa atracção se tinha transformado em amor. Assegurou-lhe que já tinha esquecido Raúl e que estava certa daquilo que sentia.


Estava disposta a lutar por Afonso, se ele lhe dissesse que sentia o mesmo por ela mas se, pelo contrário, ele não sentisse mais do que amizade, e ainda não tivesse esquecido Catarina, iria embora e não voltaria a tocar no assunto.


Mas Afonso não teve coragem para assumir os seus verdadeiros sentimentos, e mentiu dizendo-lhe que, de facto, ainda pensava em Catarina.


Débora beijou-o, para tentar perceber se ele estava a ser sincero, mas Afonso afastou-a, e ela não insistiu mais.


 

Amores Desencontrados - capítulo XVIII


 


Débora não concordava com ele, e disse-lhe que, se tivesse que haver algo entre eles, não seria o seu pai que iria impedir.


Mas sabia que podiam estar ambos a confundir os seus sentimentos, e que talvez ainda não tivessem esquecido, respectivamente, Raúl e Catarina, por isso não insistiu mais.


Decidiram esquecer aquele beijo e continuar a sua relação como sempre tinha sido até então. Uma relação de amizade que era mais valiosa que qualquer outra.


Apesar disso, Afonso começou a afastar-se, a ir menos a sua casa e a evitar ficar sozinho com ela, o que Débora não demorou muito a perceber.


No entanto, era cada vez mais evidente que sentiam alguma coisa um pelo outro, alguma coisa muito forte que os punha à prova cada vez que estavam juntos.


Não podiam continuar daquela maneira e, se Afonso nada fazia, teria que ser ela a ir falar com ele.


 

Amores Desencontrados - Final 2

  Passaram-se dois meses, e Afonso chegaria a qualquer momento. Débora precisava mesmo de falar com ele. Muitas coisas tinham acontecido, ...